quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Brilhe (para Sebastião)








Filho do meu sangue espalhado
Que não desfaleça teu olhar brilhante
Lamente as horas perdidas em sono acordado
Pois o mundo é mudo aos que não gritam
Veja a noite com olhar dos épicos
Na minha senilidade repousa tua lanterna eterna
Mas me perdoe a falta de foco.

Que não desfaleça teu olhar brilhante
Visões são a herança que te oferto
Se me negares morro no deserto
Refugue a cor que se esvai
Lembre das palavras do vento
E do semblante de teu pai
Para que teu caminho não seja um lamento.

Que não desfaleça teu olhar brilhante
Toque as pedras e as flores e conheça deus
Não Cristo, Oxalá, Buda, Jeová ou Zeus
Mas aquele que por anônimo se engrandece.
Estude além das letras que se embaralham
E jogue a cartada da relevância.
Ser impar vale mais que teu nome
E toque o céu sem dor ou ânsia
Escreve tuas iniciais na terra
E use o carvão de teus erros.

Que não desfaleça teu olhar brilhante
Esmalte a verdade e a venda como rocha
Tema as maquinas que servem os homens
Não os homens.
Que não desfaleça teu olhar brilhante
Lamente as horas de sono acordado
Não tenha sonhos ancorados

Seja pequeno mesmo que gigante.

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